Reinstalar uma disto Linux nunca foi tão fácil
Dores de quem reinstala o OS com frequência
É comum encontrar na comunidade linux pessoas falando sobre "criar um shell script com comandos pra instalar todos os apps que usam para quando reinstalar o OS do zero. Pois bem, eu tambem já fiz isso. Quando usava sistemas baseados em debian eu tinha um script. Depois migrei pro fedora e tive que refazer do zero. Isso me deixava muito puto porque eu reinstalava meu OS frequentemente e perdia várias horas, às vezes um fim de semana inteiro, nesse processo de configurar a máquina da forma que eu achava mais agradável pro meu uso.
Passos para a solução
Eu achava que não tinha escapatória pra esse problema (a não ser sucumbir ao masoquismo e migrar pro NixOS) - Realmente nos sistemas mais tradicionais que eu sempre utilizei não havia (eu acho) - Até que um dia eu me deparei com um post no blog do Fábio Akita (akitaonrails.com) falando sobre o sistema que ele tava usando no momento, uma build de arch pré configurada e disponibilizada como ISO pelo lendário DHH (eternamente conhecido como o criador do framework Rails de Ruby). Nesse post ele apresenta o Omarchy (o nome dessa build) como um ambiente já pre-configurado de Arch + Hyprland.
Até aquele momento eu nunca havia usado Arch e sequer conhecia Hyprland. Pois bem, pensei que não faria mal testar. Então eu instalei em uma máquina que tenho sobrando aqui e comecei a me aventurar pelo sistema. Logo de cara, eu fiquei muito impressionado com o quão bonito o Hyprland era.

Pois bem, após essa primeira impressão vieram 3 longos dias de quebra-cabeça pra decorar todos os atalhos do hyprland pra usar minimamente bem aquele sistema. Depois disso, eu desliguei minha máquina e achei que nunca mais voltaria pra aquilo de novo, devido à complexidade. Achei que nunca ficaria fluente o suficiente pra usar de maneira satisfatária aquilo. Então, voltei pro meu Fedora e continuei usando-o normalmente. No fim de semana seguinte, eu liguei de novo aquela máquina com Omarchy e surpreendentemente eu já o estava usando sem pensar muito. Os shortcuts finalmente haviam entrado na minha memória muscular pra um uso satisfatório. Então eu finalmente decidi arriscar e instalei na minha máquina principal.
O DHH faz um marketing em cima do omarchy, o vendendo como solução pra diversos problemas cotidianos de usuários de Linux, mas incrivelmente ele acabou sendo solução pra outros problemas completamente diferentes pra mim.
Eu uso um teclado split (silakka54) há cerca de 2 anos. Eu achava um desperdício de esforço usá-lo em um sistema padrão, visto que eu tinha que tirar minha mão direita da posição de digitação correta a todo momento pra mexer no mouse, porque que os shortcuts de window managers padão (como o do gnome, que era o que eu usava) não eliminam completamente o uso do mouse pra navegação pelas janelas.

Meio que sem querer, o Omarchy (mais especificamente o Hyprland) caiu como uma luva pro meu uso com esse teclado. A filosofia de navegação baseada em tilings que o hyprland adota oferece uma experiencia muito mais fluida de navegação.
Finalmente, a solução
Pois bem, lembra do problema que eu descrevi na introdução desse artigo? Pra mim é o principal e mais mágico que o Omarchy resolve. Recentemente eu troquei de máquina. Estava prestes a enfrentar aquele problema novamente, mas dessa vez sem meu shell script pra reinstalar do zero minhas aplicações. Eu não tinha dado conta disso quando instalei o Omarchy na minha máquina principal pela primeira vez, mas eu quase não tive que instalar app nenhum. O próprio DHH o vende como um sistema pré configurado pra ser "plug and play" pra um Dev médio. Pois bem, quado eu instalei e comecei a usar, percebi que realmente ele já estava praticamente configurado, por exceção da parte visual, que é a parte mais legal de mexer no Hyprland.
Configurações visuais Hyprland
No hyprland, praticamente todas as customizações visuais que você consegue fazer estão contidas em um único arquivo hyprland.lua dentro do diretório ~/.config. Nele, estão configurações de cores, tamanho de janela, arredondamento das bordas das janelas, espaçamento entre as janelas, configuração de monitores, workspaces, gestos.... a lista não acaba.
Gastei algumas horas configurando esse arquivo na primeira vez, e pensei que teria que fazê-lo novamente.
Pois bem, se você estava prestando atenção no que eu escrevi nesse sub-tópico, deve ter vindo na sua cabeça a solução óbvia. como é apenas um arquivo, eu apenas criei um repositório git, upei pro github e fiz um clone dele na minha nova máquina e, como num passe de mágica, ela já estava do exato mesmo jeito que eu deixei a antiga.
Claro, como tudo, é uma questão de trade-offs. Como eu citei, eu gastei horas customizando via código Lua, visto que é a forma de custom padrão do hyprland. Em um gnome, ou KDE da vida, eu gastaria alguns poucos minutos arrastando sliders e preenchendo check lists e já teria terminado a customização do zero. Por outro lado, esses desktop environments oferecem uma fração da quantidade de customização que o hyprland faz.
TL; DR
Resumindo tudo: eu descobri um sistema quase perfeito, que soluciona meu problema de demora de configuração ao reinstalá-lo ou trocar de máquina, pois ele já vem com os apps que eu uso pré instalados e a customização visual fica em um único arquivo, que eu fiz push pro github e preciso apenas fazer o pull se eu tiver que reinstalar o sistema de novo.
Conclusão
Nem tudo são flores. Várias coisas eu acho que o hyprland implementa de maneira desnecessariamente complexa. Mas, como eu disse antes, tudo na vida é uma questão de trade-off. Pra mim as desvantagens do Omarchy em relação aos outros sistemas que usam desktop environment mais complexos, pesados e fáceis de usar, são irrisórios em comparação com as vantagens que esse sistema traz. Ele é muito bonito, altamente customizável e configurável, e meu teclado parece ter sido feito pra ser usado com ele. E, melhor de tudo, já tem tudo que eu preciso pré-instalado. Sério, se você é dev e sente a dor que eu descrevi na introdução desse post, eu fortemente recomendo que teste o Omarchy.
Stay hungry, stay foolish